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Apresentação da obra "GALIZAN NATION", da autoria da académica Isabel Rei

AGLP 15/12/2024

⇒ Texto de Paulo Mirás.


No dia 14 de dezembro, deste já quase extinto 2024, decorreu na livraria Couceiro de Santiago de Compostela a primeira apresentação do livro Galizan Nation: Uma distopia kpop, publicado na Companha Editora. Este é o segundo contributo literário da conhecida guitarrista e professora de guitarra do conservatório profissional compostelano, Isabel Rei Samartim.

Após ter-nos deliciado com o seu relato erótico, recolhido no livro Abadessa, oí dizer, uma coletânea de diversas vozes femininas; e de ter publicado Guitarra Galega: Breve história da viola (violão) na Galiza, um livro de ensaio sobre a genealogia da guitarra galega; ambas as publicações na Através Editora, agora arrisca publicando a sua primeira novela.

O evento começou com uma sucinta apresentação do Diniz Cabreira, que falou um bocado sobre a editora, o tipo de livros que publicam, nomeadamente o recém-publicado volume da Isabel. Depois disto, o Diniz interpelaria a escritora, que daria passo a uma interpretação musical, mas não antes de explicar que ambas as obras que seriam tocadas aparecem mencionadas no livro, dando-nos a possibilidade conhecê-las detalhadamente: “Trémolo a Conchita” de Luís Eugénio Santos Sequeiros e “Minha lira” uma mazurca de João Parga. Com elas foi capaz de deixar a sala, completamente lotada de pessoas, em absoluto silêncio. Ressonaram as cordas na velha livraria, entre arpejos, acordes, percussão e lindos harmónicos, preparando o público para a introdução do livro.

Após a atuação musical ao vivo, a Isabel sentou à mesa com os seus acompanhantes. Ficaram dispostos de esquerda a direita, autora, editor e prefaciadora: a Isabel, o Diniz Cabreira e a Teresa Moure. Esta última, a reconhecida escritora e professora da USC, apresentou a sua amiga Isabel, descrevendo abundantemente o trabalho da guitarrista e fazendo diversos comentários sobre o livro, tentando sempre aliciar o público para ler o livro e sem dar excessivas informações que pudessem causar qualquer tipo de spoiler.

A seguir, a Isabel falou sobre a sua obra e o paralelismo criado nela entre a Galiza e a Coreia. O encontro foi bem conduzido, mantendo sempre um trato cordial e de amizade, criando sorrisos entre o público e os apresentadores. Finalizou com o agradecimento da Isabel que, apesar dos nervos, conseguiu dar fim ao evento com sucesso, anunciando que este seu primeiro livro terá continuidade com futuras novelas.

 

Galeria de imagens, abaixo ⇓ 

"O único ‘galego’ que vai sobreviver é o português", Artigo de José-Martinho Montero Santalha

O único ‘galego’ que vai sobreviver é o português

José-Martinho Montero Santalha

A Víctor Freixanes, com admiração e amizade

“Unha lingua para o futuro”

O querido e admirado amigo Víctor F. Freixanes, presidente da Real Academia Galega, escrevia sobre o galego como “Unha lingua para o futuro” (no jornal La Voz de Galicia, domingo 26 de março de 2023, num dos sempre interessantes artigos semanais da sua secção “Vento nas velas”), tentando responder às perguntas que lhe formularam umas alunas corunhesas de Instituto: “por que o idioma perde falantes” e “como podemos recuperar o galego”. (Reproduzo na íntegra este artigo à maneira de apêndice).

À pergunta «E haberá algún método para aumentar o número de galegofalantes?» responde ele formulando uma série de propostas:

“- Traballar máis activamente na escola, dende os primeiros anos.

- Concienciar as familias de que a transmisión da lingua de pais / nais a fillos / fillas é unha riqueza, ademais dun acto de amor.

- Potenciar o idioma nos medios de comunicación e nas redes sociais.

- Animar a creación de produtos audiovisuais e interactivos, música, videoxogos, para que a lingua galega estea máis presente nas industrias da comunicación e o ocio.

- Avivar a lectura.

- Promover espazos para o galego na administración, na publicidade, no comercio, no deporte…”

São propostas gerais que todos os amantes do galego desejaríamos ardentemente ver implementadas. Bem intencionadas, mas tão indeterminadas que afinal reduzem-se a palavreado vazio e inoperante. Na mesma linha poderíamos propor outras não menos desejáveis mas igualmente aéreas:

“- Dar 50 euros cada dia a um pai ou uma mai que vaia falando galego aos seus nenos pela rua”.

Perguntareis: “E quem lhos vai dar? Donde se vai sacar esse dinheiro? Como se vai poder organizar a operação?” Poderíamos replicar: “Ah, essas são perguntas que já não me corresponde responder: eu já formulei a minha proposta de solução...”.

Porque essa proposta utópica tem aproximadamente as mesmas características das formuladas por Freixanes. Por exemplo “Concienciar as familias de que a transmisión da lingua de pais / nais a fillos / fillas é unha riqueza, ademais dun acto de amor”.

Esse era igualmente o nível do tão cacarejado e aéreo “Plan de normalización” de 2004 (no qual, por sinal, a consciência lusófona está tristemente ausente). Escolho ao acaso uma das suas medidas: “Fomentar o uso do galego por medio de medidas de promoción profesional e prestixio dos funcionarios que a vaian usando”.

“Concienciar as famílias”, propõe Freixanes. E como se vão “concienciar”, e quem o vai conseguir? Porque isso já é o que todo o galeguismo vem (vimos) tentando fazer desde há 50 anos pelo menos, mas tudo está a indicar que a grande maioria das famílias estão bem “concienciadas” justamente do contrário.

Quer dizer: essas propostas são “palavras ao vento” ou “brindes ao sol”. Formulam acções que dependem de outras pessoas  –que um sentido realista da vida indica que não as vão realizar.

Comenta Freixanes: “Algo imos mellorando. Segundo os barómetros do Goberno de Francia, o galego ocupa o posto número 37 entre os idiomas máis destacados no mundo”. Não sei que autoridade ou credibilidade terá esse barómetro, e seria bom constatar que lugar se reserva nessa listagem ao provençal ou ao bretão ou ao catalão ou ao basco na França centralista e glotófoba... Mesmo sendo certo esse dado, quer dizer que “imos melhorando”? Ou será mais bem que marchamos “de vitória em vitória a caminho da derrota final”?

Claro que na realidade a nossa língua, pelo feito de ser a mesma da lusofonia, está num posto muito mais elevado que esse 37º...

 

Mudar de rumo

Se queremos tentar mudar a situação, não podemos colocar a solução em mudanças de atitude por parte de outros que não parece tenham intenção ou desejo de adotar uma praxe diferente da que vêm mostrando nos últimos tempos. Teremos que partir da premissa de que somos nós, os amantes do galego, os que teremos de mudar de tática: constatar que estamos fracassando e analisar se algo vimos fazendo mal. Porque parece óbvio que, se não dispomos de outros recursos que os que vimos empregando nos passados decénios, então o final do galego está cantado...

Carvalho Calero comparou uma vez o galeguismo com um grande transatlântico que vai navegando. Nele há muitas pessoas que trabalham com imensa generosidade e entrega em atividades diversas: uns atendendo as máquinas e o combustível para que o barco avance, outros cuidando da limpeza do conjunto, outros preparando as comidas de todo o pessoal, alguns proporcionando entretenimento aos viajantes... Mas não há ninguém que considere qual é o rumo que levamos.

O galeguismo deveria reconhecer que o barco em que viajamos leva um rumo errado, que nos conduz ao precipício. Parecemos a orquestra do Titanic, mantendo admiravelmente a constância do nosso trabalho e intentando levantar os ânimos do pessoal enquanto o nosso barco se está afundando...

 

“Um idioma extenso e útil”

Que podemos então fazer?

Não convenceremos a maioria dos pais galegos, e dos galegos em geral (nomeadamente, dos mais novos), tentando fazer-lhes crer que o galego é bom simplesmente porque “é nosso”. Nosso era também o carro de vacas ou bois, ou a esfolha do maíz nas noites de inverno... Para que sintam que a língua merece ser apoiada têm que perceber, em primeiro lugar, que conta com probabilidades de sobreviver, e, em segundo lugar, que tem alguma utilidade. Como dizia Castelao: que é “um idioma extenso e útil”.

“Oxalá os bascos tivéssemos um Brasil detrás: não o desaproveitaríamos”  –nos dizia o linguista basco Txillardegi há já 40 anos numa conferência em Ferrol (cidade à qual sentia carinho, porque nela passara o seu serviço militar obrigatório, como tantos outros rapazes bascos de então).

Realmente, na história do galeguismo houve suficientes manifestações, como Castelao quando declarava desejar que o galego se identifique com o português para que o nosso idioma seja “extenso e útil”. E não pode deixar de surpreender que o galeguismo oficial desconsidere tantas manifestações reintegracionistas de mestres do galeguismo como Murguia, Pondal, Viqueira, Risco, Vilar Ponte, Castelao, Paz Andrade, Jenaro Marinhas, Guerra da Cal, Carvalho Calero... Na prática o que parecem pensar os dirigentes culturais de hoje é “Que tontinhos eram! Como se equivocaram!...”. E conseguintemente: “E nós que listos somos, que sabemos compreender bem a situação!”...

 

Algumas propostas concretas

O galeguismo tem na sua mão algumas medidas que sim poderiam ter alguma eficácia.

Pode-se, por exemplo, antes de mais, cessar o apartheid e o ostracismo oficial ao reintegracionismo; isto é: deixar de penalizar e excluir os escritos em normativa reintegrada em editoras, publicações periódicas, concursos, subsídios oficiais, etc. Há aí todo um movimento florescente da cultura galega que está forçado a viver à margem, como esteve o galeguismo nos piores anos da pós-guerra.

Pode-se mudar nas instituições galeguistas a consideração do galego como “língua independente” do português para passar a considerá-lo como uma denominação que se dá à língua portuguesa da Galiza.

Com essas e outras medidas que estão nas mãos do galeguismo dominante, pode-se promover entre a gente a ideia de que a língua da Galiza é a mesma de Portugal e das suas ex-colónias, e que portanto dispõe de um catálogo imenso de recursos impressos, digitais, cinematográficos, musicais... que são aproveitáveis de maneira imediata: que, em definitivo, o nosso idioma, ademais de ser nosso, é um idioma “extenso e útil”, que não está ameaçado de morte. O galeguismo, porém, vive alienado de todos esses recursos, numa voluntária e irracional “folga de fame”...

Isso talvez ajudará a consciencializar mais positivamente as famílias galegas e a apoiar a transmissão geracional. Não será fácil, porque a alienação provocada por estes 40 anos de incutir-lhes a visão do português como alheio a nós  –quando não perigoso para a nossa identidade cultural–, não se muda da noite para a manhã: esse dano está feito, e sempre é mais trabalhoso reconstruir que destruir.

Essa mudança de mentalidade no galeguismo dominante levaria consigo outras inovações decisivas. Em primeiro lugar, que os programas de estudo do galego incluíssem o conhecimento da normativa ortográfica portuguesa, de maneira que o alunado aprendesse que mulher, filho, caminho, bem, algum, rua não estão pior escritos que muller, fillo, camiño, ben, algún, rúa..., nem deixam de ser galegos por adotar a grafia da lusofonia (ao contrário: deixam de ser castelhanizantes). Em segundo lugar, que os programas de literatura incluíssem textos literários luso-brasileiros como parte da nossa língua. (Realmente já era assim nos primeiros programas pre-autonómicos, depois modificados).

Levaria consigo também o aproveitamento na rádio galega de canções luso-brasileiras, e na televisão galega de películas ou séries. Os ouvidos galegos estamos habituados a escutar e compreender falas andaluzas, por exemplo, mas não as da nossa própria língua na pronúncia portuguesa ou brasileira. Precisa-se uma formação desse hábito. Mas para isso não é necessário, e de pouco serve, legendar as conversas “traduzindo-as” (por exemplo, pondo “atopar” em vez de “achar”, ou “amosar” em vez de “mostrar”, ou “bos días” em vez de “bom dia”...). Pode ser útil legendá-las, mas no texto original português, que favoreça o seu seguimento: com essa aprendizagem, para a maioria dos espectadores os textos escritos vão ser tão compreensíveis como os galegos.

 

Esse futuro...

Tal como as cousas foram vindo, não parece uma profecia arriscada afirmar que o único galego que vai sobreviver é o português. Carvalho Calero, quando caiu na conta deste feito, empreendeu uma revisão da normativa linguística da sua obra literária, e espontaneamente deixou por escrito autorização para reeditar no futuro toda a sua obra em normativa portuguesa, considerando que, por meritórios que fossem esses seus esforços de criação literária, foram em grande medida “passos perdidos” e levavam um rumo errado.

E este parece ser o futuro que espera a uma grande parte da produção literária galega.

A maioria dos livros galegos editam-se graças aos subsídios oficiais, sobretudo por meio da compra de um determinado número de exemplares (depois armazenados, como já outros bem informados têm denunciado). Os livreiros galegos declaram que os livros galegos não se vendem. Basta observarmos as montras das livrarias e vermos quantos livros galegos há expostos. (Naturalmente, não se incluem nesta situação as poucas e meritórias livrarias que desenvolvem um apoio consciente ao livro galego). E talvez podemos acrescentar que, dos poucos que se vendem, poucos se leem. Os que a gente compra e lê são os best-sellers espanhóis do momento, que os meios de comunicação dominantes promovem.

A cultura galega vive, pois, numa atmosfera gerada artificialmente.

Agora os nossos escolares ainda encontram os autores da literatura galega nos seus planos de estudo. Mas por quanto tempo vai seguir sendo assim? Noutras palavras, por quanto tempo os políticos (que são os que estabelecem os planos de estudo, os subsídios às edições, etc.) vão seguir apoiando uma língua que nunca falaram nem sentem? Quando lhes faltar a experiência vital da língua é de temer que os políticos acabarão por não ver sentido a manter uma artificiosa “alimentação intravenosa”... Alguns já o estão dizendo, e podemos ver o que está a ocorrer já em Valência ou nas Ilhas Baleares. Vai ser melhor o nosso futuro?

Não é de prever um desmoronamento geral de todo o sistema cultural galego? Na realidade, esse desmoronamento já está acontecendo, embora de maneira menos aparatosa do que poderá ser o seu colapso final.



Apêndice

Víctor F. Freixanes

Unha lingua para o futuro

(“Vento nas velas”)

(La Voz de Galicia, domingo 26 de março de 2023)

Alumnas de secundaria dun instituto da Coruña pregúntanme polo futuro da lingua galega e amósanme a súa preocupación: «por que o idioma perde falantes? Os nosos avós aínda o falan na aldea, pero os nosos pais xa non». Os pais viñeron vivir á cidade contra finais do pasado século, en realidade xa se criaron na cidade, aquí se coñeceron. Elas, as mociñas, criáronse en castelán. Só cando van á aldea, visitar os avós, senten a lingua arredor, e quixeran que as cousas non fosen así. «Como podemos recuperar o galego?», preguntan.

Parece unha pregunta inocente. Pero non o é. Están pedindo respostas. Pertencen a unha xeración nova que, aínda que non o pareza, embarullados que estamos na anestesia social, manteñen o espírito crítico, se cadra dun xeito máis instintivo que consciente, case diría que para sobrevivir. Saben que o mundo lles vai pedir respostas, obrigadas a posicionárense diante das encrucilladas que se aveciñan; incluída a propia identidade, alicerces sobre os que construír un proxecto de futuro (persoal e colectivo).

Poida que sexan minoría. Sempre foi así. Mais son a panca que ha de mover o mundo.

No concello de Ames rematou estes días outra fermosa experiencia: Modo Galego. Actívao, unha invitación a que, con naturalidade e sen obrigacións, coma quen propón un xogo, ou un desafío, rapaciños e rapaciñas usen durante tres semanas a lingua na escola, nos recreos, na casa, cos amigos, coa familia, en todas partes e a todas horas: unha lingua que, na meirande parte dos casos, é lingua de seu, mais que vive agochada nos faiados da memoria (os pais e os avós temos que facer unha reflexión sobre o que isto significa), e alí onde non é lingua de seu convertela en lingua de relación e afectos, invitando a participar nela os que veñen de fóra ou non a teñen viva na casa.

Algo imos mellorando. Segundo os barómetros do Goberno de Francia, o galego ocupa o posto número 37 entre os idiomas máis destacados no mundo por cultura e influencia social: 634 escolmados contra case 6.000 que hai no planeta, a inmensa maioría dos cales non sobrevirán ao século. Non ha ser o noso caso, afortunadamente.

Velaí as mociñas coruñesas. «E haberá algún método para aumentar o número de galegofalantes?», preguntan. Traballar máis activamente na escola, dende os primeiros anos. Concienciar as familias de que a transmisión da lingua de pais/nais a fillos/fillas é unha riqueza, ademais dun acto de amor. Potenciar o idioma nos medios de comunicación e nas redes sociais. Animar a creación de produtos audiovisuais e interactivos, música, videoxogos, para que a lingua galega estea máis presente nas industrias da comunicación e o ocio. Avivar a lectura. Promover espazos para o galego na administración, na publicidade, no comercio, no deporte… Pero moi especialmente nos dous primeiros ámbitos: a familia (que é o principio de todas as cousas) e a escola.

 

Nota: Este artigo apareceu originariamente no diário digital "praza.gal" do dia 5 de dezembro deste 2024.

Constituído na Galiza o OBSERVATÓRIO DA LUSOFONIA

Entidades lusófonas galegas como a AGLP, a DPG (Docentes de Português na Galiza) e a AGAL (Associaçom Galega da Língua) fazem parte deste organismo.

O presidente da Xunta de Galicia, que presidiu o ato de constituição, salientou que o número de estudantes de português na Galiza ultrapassa atualmente os 5.000.


AGLP 30/10/2024

No dia de ontem, 29 de outubro de 2024, ficou constituído em Santiago de Compostela (Galiza) o Observatório da Lusofonia "Valentín Paz Andrade", mais de um ano depois de que o Diário Oficial da Galiza (DOG) publicara o decreto que criava e regulava dito organismo, e dez anos depois de que o Parlamento da Galiza aprovara por unanimidade a Lei 1/2014, do 24 de marzo, para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia. Este órgão terá como objetivo “assessorar a Xunta da Galiza, formular planos de ação e desenhar atividades de conhecimento ou intercâmbio”. O Observatório da Lusofonia "Valentín Paz Andrade" será integrado pelas entidades galegas relevantes na relação com estes países, tanto a nível linguístico como noutros domínios.

António Gil, presidente da AGLP, participou no ato de constituição

O Observatório da Lusofonia nasce assim com uma década de atraso, em cumprimento da referida lei, popularmente conhecida como Lei Paz Andrade, que leva o nome da iniciativa legislativa popular que a impulsionou com o apoio de 17 mil assinaturas. A criação do Observatório ocorre também no cumprimento do mandato legal de desenvolvimento regulatório contido no artigo 28.º da Lei 10/2021, de 9 de março, que regulamenta a ação externa e a cooperação para o desenvolvimento da Galiza, com o intuito de “reconhecer e intensificar" os laços com todos os países de língua portuguesa.

O Presidente da Xunta, Alfonso Rueda, comprometeu-se no ato de constituição a dar maior impulso às relações sociais, culturais e económicas com os países de língua portuguesa e defendeu que a Galiza reúne todas as condições para desempenhar um papel relevante como “ponte” entre os países lusófonos no mundo e os países hispânicos. 

O chefe do Executivo galego considerou que a constituição deste órgão servirá para aprofundar as relações entre a Galiza e Portugal e, por extensão, com todos os países de língua portuguesa. Neste sentido, avaliou que a afinidade linguística com o galego constitui uma vantagem competitiva e salientou a necessidade de alargar, especialmente entre os jovens, “a perceção da enorme utilidade da nossa língua” e a “abertura ao mundo que o galego nos dá” através da ligação com a língua portuguesa. Afirmou também que há tempo que a Xunta marcou como prioridade as relações com uma comunidade de falantes com 270 milhões de pessoas, como é a lusófona. Deste jeito, na Estratégia de Ação Externa Galega (EGAEX), aprovada em 2015, o estreitamento dos laços com a Lusofonia já era uma prioridade.

No seu discurso, Rueda lembrou que já existem “mais de 5.000 estudantes na Galiza a aprender português e toda a cultura que tem a ver com a Lusofonia”, número que se comprometeu a valorizar e aumentar. Além disso, lembrou que a entrada da Espanha como Observador Consultivo na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) permite que a Galiza esteja agora presente em grupos de trabalho de especial interesse. No domínio das relações com Portugal destacou particularmente o papel da Eurorregião, citando várias das iniciativas promovidas desde o governo galego para aproveitar os laços com a Lusofonia, como o programa de intercâmbio académico Iacobus ou o cultural Nortear.

O presidente da Xunta defendeu ainda a necessidade de continuar a unir a voz para exigir melhoras que permitam o progresso em ambas regiões, como já foi feito na recente sessão plenária da Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal, mencionando especialmente a ligação ferroviária de alta velocidade entre a Galiza e Portugal como fulcral para continuar a progredir nas sinergias positivas entre ambos os territórios. “Estamos num momento em que teremos que fazer toda a força necessária conjuntamente num interesse comum”, disse.

Da mesma forma, o Conselheiro de Cultura, Língua e Juventude, José López Campos, destacou durante o evento que as relações históricas, culturais e linguísticas entre a Galiza e Portugal “representam uma grande oportunidade para promover o uso do galego”. “Esta é a razão fundamental pela qual o lançamento deste Observatório da Lusofonia Valentín Paz Andrade é particularmente relevante”, defendeu. Além disso, sublinhou que entre as medidas que o seu Departamento irá implementar até 2025 está “incentivar a utilização do galego em toda a sociedade”, bem como achegar a sua importância para a juventude.

No observatório, além dos departamentos da Xunta, estão representadas a Administração Geral do Estado Espanhol, a Administração Portuguesa e os observadores consultivos na Galiza da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como o Conselho de Cultura Galega (CCG), a Academia Galega de Língua Portuguesa (AGLP), a Associaçom Galega da Língua (AGAL) e a Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG). Fazem também parte da entidade a AECT da Eurorregião, a Federação Galega de Municípios e Províncias (Fegamp), o Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional, a Fundação Centro de Estudos Eurorregionais Galiza-Norte de Portugal e outras organizações com interesses políticos e sociais, económicos e culturais na Eurorregião Galiza-Norte de Portugal como associação cultural e pedagógica Ponte nas Ondas (PNO).

 

Fontes: 

A Academia das Ciências de Lisboa convida a AGLP para trabalhar conjuntamente e enriquecer o léxico da Língua Comum

António Gil, presidente da AGLP, pôs em destaque os trabalhos realizados nos 16 primeiros anos de andamento da instituição


AGLP 27/10/2024

A Professora Doutora Ana Salgado, presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa (ILLLP-ACL), avançou que convidará a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP) para trabalhar conjuntamente e enriquecer o léxico da Língua Comum, em acontecimentos agendados proximamente. Assim o indicou na sua intervenção no Dia da AGLP, o sábado 5 de outubro, em Santiago de Compostela. “Contamos com o vosso apoio e colaboração para continuar a enriquecer a nossa língua e cultura”, afirmou na sua intervenção.

Ana Salgado, quem também é docente e investigadora na Universidade Nova de Lisboa, esclareceu iniciativas e projetos como o Dicionário da Língua Portuguesa da ACL, publicado em edição digital, com mais de 100.000 entradas e por volta de 195 000 sentidos; o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, o Dicionário Histórico Biográfico da ACL; o Thesaurus de Ciências da Terra, os dicionários de Ciências da Vida e de Ciências da Terra, e outros da instituição lisbonense. Também pôs em destaque um encontro agendado para o 13 de novembro em Lisboa, em que Ricardo Cavaliere, o responsável de lexicografia da Academia Brasileira de Letras será recebido na ACL, o que favorecerá o diálogo entre ambas as instituições nesta matéria; e um acontecimento previsto em Cabo Verde, em que especialistas da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) trabalharão a respeito da entrada de neologismos na Língua Comum; ou a preocupação sobre a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Integração da Galiza

A que foi a atividade central do Dia da AGLP celebrou-se na sede da instituição, a Casa da Língua Comum, em Santiago de Compostela. Entre as pessoas assistentes estavam os Exmos. Sres. Ángel Rodríguez, Iria Taibo e Patricia Iglesias, deputados no Parlamento de Galiza pelos grupos do PP, BNG e PSdeG-PSOE, respetivamente; Alexandre Banhos, presidente da Fundação Meendinho; e Marinha Area e Mar Lopes em representação da Associaçom Galega da Língua; para além de numerárias e numerários da AGLP e outras pessoas.

O presidente da AGLP, António Gil Hernández, ressaltou na apresentação que a AGLP supõe que haja um tempo anterior e um tempo posterior para a língua da Galiza. Lembrou como antecedentes a Comissão para a Integração da Galiza no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em que se tinham envolvido vultos como José Luís Fontenla, Ernesto Guerra da Cal, Ricardo Carvalho Calero e Valentim Paz Andrade, e que tinham conseguido a presença de representações da Galiza quando se debateram os Acordos Ortográficos da Língua Portuguesa no Rio de Janeiro em 1986 e em Lisboa em 1990. Neste último, o próprio Gil Hernández foi um dos representantes da Galiza. Também aludiu como antecedente da AGLP à Associaçom Galega da Língua (AGAL). Pôs em destaque como estas duas entidades, juntamente com a Associação Docentes de Português na Galiza, também de orientação lusófona, estão integradas na atualidade como Observadoras Consultivas na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Gil Hernández assinalou assim mesmo como a AGLP, nos 16 anos que leva em andamento, estabeleceu protocolos e colaborações, através da Fundação AGLP, em Portugal e outros países lusófonos, e que busca uma receptividade semelhante também no Reino da Espanha. Na Galiza, neste tempo, para além de ter trabalhado com entidades académicas, universitárias ou simplesmente cívicas, também tem realizado esforços na colaboração com grupos ecologistas e da ação social, acrescentou.

A vice-presidente, Concha Rousia, lembrou como a AGLP estava a celebrar o 16º aniversário –começou o seu andamento em 6 de outubro de 2008–, um tempo que é “a idade do consentimento” e que a trajetória até agora “dá para celebrar”. Lembrou publicações como a edição do Boletim da AGLP, de periodicidade anual; vários livros, entre os quais singularizou a coleção Clássicos da Galiza; e o ter participado ativamente em encontros em países da CPLP como o Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal, ou mesmo em Macau, para favorecer a integração da Galiza no espaço lusófono. Referiu-se à AGLP como “uma entidade privada dedicada ao serviço da sociedade” e como “uma voz que surgiu da sociedade civil para dar asas, dar visibilidade, aos anseios não satisfeitos da nossa sociedade”. Afirmou Rousia que “a integração da Galiza no espaço lusófono está a dar os seus frutos e algumas alegrias”.

Novas incorporações, música e poesia

A professora e escritora brasileira Adrienne Savazoni, na sua condição de académica correspondente da AGLP, lembrou numa palestra, através de videoconferência, a sua descoberta e relacionamento com a Galiza nos últimos anos, pondo em destaque “a sua língua, paisagem e gente” e o ter encontrado nela as “raízes da minha cultura”. Salientou o trabalho com uma das línguas “mais belas, mais musicais e propensas para a poesia”. Agradeceu o ter colaborado com Pedro Casteleiro e Paulo Fernandes Mirás, académicos numerários da AGLP.

Joel R. Gomes tomou posse como novo académico numerário da AGLP, reivindicando na sua intervenção o legado de Ricardo Carvalho Calero como produtor de trabalhos literários e de opinião divulgados na comunicação social. Centrou-se no contributo de Carvalho Calero sobre política linguística no jornal La Voz de Galicia, o meio em que mais colaborou. O seu discurso de receção teve resposta do académico numerário José-Martinho Montero Santalha.

O Dia da AGLP finalizou com música do grupo galego CANAVERDE (Andrés Fernández, Jesús Arranz, Irene Veiga e Xico Paradelo), que interpretou canções galegas e portuguesas; e com um recital poético de Concha Rousia, Iolanda Rodrigues Aldrei, José Manuel Barbosa e Pedro Casteleiro, numerárias e numerários da AGLP.

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